COOL BRITANNIA! by A. Neves – Final Act

Offset Festival, Hainault Forest, London
5-6th September 2009

Olá de novo rapaziada da pesada. Nesta temporada de festa venho aqui ao sítio do costume terminar esta rubrica, pelo menos por agora, pois existe grande probabilidade de Londres ser novamente o meu destino já no início do ano vindouro.
Nesta altura de festa e rabanadas, e de conclusões e reflexões no que há música diz respeito, deixo-vos um breve comentário ao festival mais Indie e Vintage onde já estive, não apenas pela música, mas também pelos trajes e pinturas com que os britânicos mais ousados (ou será chanfrados?) se passeiam pelo recinto. Um festival pouco conhecido fora do Reino Unido, mas muito agradável aos olhos dos entusiastas de alterne.
Num festival que contou com alguns dos nomes que vão aparecer na minha lista de predilectos do ano, destaco as performances dos nativos Maps, dos estridentes Dananananaykroyd, dos anciões da oriundos da Gold Madchester, A Certain Ratio, dos enormes Wild Beasts (pena o pouco tempo de concerto) e claro, dos magricelas que marcarão para sempre o corrente ano, The Horrors. Momentos antes do concerto, encontrei o freak Joshua Hayward, guitarrista da banda e fiz-lhe uma promessa. Desculpa o atraso Joshua, mas finalmente vais aparecer no Who's Playing At My House:


VOTOS DE UM FELIZ NATAL [atrasados por culpa da gerência] E DE UM 2010 BOMBÁSTICO!

[Nos próximos dias o André Neves vai voltar cá para escrever umas linhas para os "Clássicos 2000", e vai também colocar aqui no blog a sua lista pessoal dos melhores do ano, tal como fez o ano passado.]

I WISH IT WAS CHRISTMAS TODAY [updated]

Apesar de esta não ser uma época de grande significado para mim, aqui fica a minha simbólica referência ao Natal. A canção escolhida é do grande Julian Casablancas e foi simplesmente a melhor canção de natal que ouvi este ano:



Os meus mais sinceros votos são de um feliz Natal para todos, junto dos vossos entes mais queridos.
Como habitualmente, entre o Natal e o ano novo surgirão por aqui as listas dos melhores do ano. Depois de muitas dúvidas, o álbum do ano já está escolhido e será divulgado nos próximos dias...

[UPDATE] Entretanto já há (pelo menos um) vídeo em condições para a canção. Foi gravada no Late Night With Jimmy Fallon e conta com a participação dos residentes The Roots, de Horatio Sanz e do próprio Jimmy. Ele aqui fica.

CLÁSSICOS 2000

Se há músicas que consigo associar a fases ou pessoas que passaram pela minha vida, Apply Some Pressure é uma das mais claras. Esta faixa marcou uma fase importante do meu crescimento como pessoa e serviu de hino à esperança e à resistência. Estávamos em 2005...



Depois deste álbum de estreia que ouvi vezes sem conta e me continua a acompanhar, fui perdendo gradualmente o interesse pelos Maxïmo Park. É uma pena, uma vez que esta faixa ainda hoje me dá arrepios.

CLÁSSICOS 2000

Hot Chip - Boy From School


(2006)

CLÁSSICOS 2000

Munk & James Murphy - Kick Out The Chairs
(WhoMadeWho remix)

CLÁSSICOS 2000

Yes, it's a mistake. I know it's a mistake. There are certain things in life where you know it's a mistake, but you don't really know it's a mistake, because the only way to really know it's a mistake is to make the mistake and then look back and say "Yap, that was a mistake." So, really, the bigger mistake would be not to make the mistake because then you'll go all your life not really knowing something is a mistake or not. (Lilly Aldrin, How I Met Your Mother, Season 1, Ep.21)

Lembro-me de ter lido esta citação no Xukebox aqui há uns meses e pensar para os meus botões: "Fuck! This is it!" (mas em português. Por mais estranho que possa parecer eu penso em português.)

WE HAVE BAND

Foi hoje revelado mais um vídeo que antecipa a chegada do álbum de estreia dos londrinos We Have Band. A faixa em questão chama-se Honeytrap e já era conhecida há algum tempo ganhando agora nova vida e sucede à fantástica Oh! (que se ouviu por cá há já um ano) e a You Came Out (que teve como lado B uma cover de West End Girls dos Pet Shop Boys). Os We Have Band confirmam-se como uma das estreias mais ansiadas aqui em casa, logo no início de 2010. Confiram:





Podem fazer download gratuito de Honeytrap no site oficial da banda.

MEMORY TAPES = WEIRD TAPES + MEMORY CASSETTE

O final do ano aproxima-se a passos largos e agora que começo a pensar nas listas das coisas que mais me agradaram e passaram pelos ouvidos em 2009, percebo que ficaram algumas coisas essenciais por falar (assim de repente, The XX e Fever Ray são as maiores falhas). Mas como o tempo para deixar aqui umas palavrinhas tem sido pouco e felizmente há por ai muitos blogs obrigatórios que têm dado a cobertura que esta gente merece, sigo em frente.

Assim, venho-vos hoje falar de outro projecto que marcou 2009. Na verdade são três projectos interligados. Falo das Memory Tapes, junção do projecto Weird Tapes com Memory Cassette, tudo projectos do americano Davye Hawke, qual esquizofrénico. O burburinho acerca destes projectos foi enorme ao longo do ano, principalmente em blogs internacionais, e há pouco tempo percebi finalmente porquê. Seek Magic, das Memory Tapes, é o primeiro LP a sair desta fornada e tem de facto material para surpreender. O disco desenrola-se em ritmo bastante ambiental, numa dream-pop a roçar o atmosférico que de quando em vez deixa sobressair uns beats mais animados, a tocar o electro. E tudo isto tem uma explicação: Weird Tapes é um projecto com músicas mais dancáveis enquanto as Memory Cassettes primam mais pelos ambientes etéreos e espaciais...
A verdade é que qualquer um destes projectos tem coisas maravilhosas e que merecem ser ouvidas:

Memory Tapes - Bicycle:




Memory Cassette - Asleep At A Party:


Ainda assim a minha preferência vai para as Weird Tapes, que também já remisturaram gente como os Lost Valentinos, Datarock ou Yeah Yeah Yeah's. No blog desta rapaziada podem sacar de borla singles, remixes e mil e uma coisas.
Desfrutem!

CLÁSSICOS 2000

Juan Maclean - Give Me Every Little Thing


(2003)

SOUND OF SILVER TALK TO ME

Em tempo de balanços anuais e da década tive a oportunidade de escrever sobre uma das minhas grandes paixões, os LCD Soundsystem. Foi a convite do obrigatório When You're Around e podem ler/ouvir aqui.

CLÁSSICOS 2000

Digitalism - Pogo


(2007)

CLUBBING DEZEMBRO - o rescaldo

Exactamente uma hora depois do previsto, os Hercules & Love Affair entram em palco. A expectativa maior era ver quem seriam os novos integrantes/colaboradores de Andy Butler, depois da "dispensa" de Nomi. A banda apresentou-se em palco com com dois homens atrás dos pratos, o bem disposto chefão Andy Butler (com uma sweat preta dos Meat Beat Manifesto) e Mark (apresentado por Andy como integrante dos M.B.M.), mais três vocalistas à sua frente. E se a carismática maria-rapaz Kim Ann Fox (que teve direito a um grito geral de "sexy!" na mesma apresentação) já é uma velha conhecida, os outros dois performers foram novidade. Shaun é um sósia do Anderson (sim, o do Man. United) e cativou a audiência pelos seus moves enquanto Daniella, com uma farta carapinha e vestido às bolinhas, surpreendeu tudo e todos quando abriu a boca pela primeira vez sem ser para cantar. A rapariga fala um português melhor articulado que muitas portuguesas...
A conjugação do trio da frente fez-se de forma sempre dinâmica e festiva e o maior elogio que se pode fazer é que deve ter havido pouca gente a sentir a falta de Antony e principalmente de Nomi.
O concerto decorreu em modo acelerado e nem a elevada quantidade de músicas novas (cerca de metade do alinhamento) diminuiu o entusiasmo que se viveu naquela pequena sala da Casa da Música. Para o encore deixaram You Belong mas antes saíram com um dos momentos altos da noite: a infecciosa e quebrada I Can't Wait, meia novidade, uma vez que já era conhecida da recente compilação Sidetracked.
Diversão e classe poderiam resumir a actuação dos Hercules & Love Affair. Sai de lá com um sorriso estampado na cara e de joelhos cansados.





Mais tarde foi a vez dos Kap Bambino e ai a história foi diferente. O público era outro, mais jovem e com sangue na guelra, e a Sala 2 incendiou completamente! O duo mostrou a sua habitual fúria em palco e depressa conquistou uma audiência predisposta a fazer que aquele não fosse apenas mais um concerto. Aproveitando a inexistência de grades e a proximidade com os ídolos (que já anteriormente tinha permitido a Andy Butler chamar uma rapariga do público para fotografar a banda) as invasões da palco foram às dezenas, logo a partir dos primeiros temas. Era ver os seguranças a tirar o casaco, qual Jorge Jesus quando as coisas não correm bem, numa azáfama inglória a fazerem placagens aos mais afoitos. Foi só até perceberem que não valia a pena cansarem-se mais...





A Casa da Música revelou-se um espaço arquitectónico e acusticamente magnífico mas também labiríntico. Cada ida à casa de banho ou a outra sala era uma verdadeira aventura.
Por fim aqui fica o meu agradecimento à Barbara e ao Paulo pela hospitalidade e à Teresa pela sempre agradável companhia.

HERCULES & LOVE AFFAIR @ CLUBBING OPTIMUS

Amanhã é dia de rumar até à Invicta para ver estes "senhores" ao vivo. Vai ser também a minha estreia na casa da música, um local que tenho curiosidade em conhecer pelas mais variadas razões. O cenário não vai ser o que se vê abaixo mas isso já seria pedir demais:



Como bónus ainda há live act do duo francês Kap Bambino e mais uns extras.
Bem bom, por 14€.

Voltando aos Hercules & Love Affair, algumas notícias apontam para que a enigmática Nomi já não acompanhe a banda nestes concertos de Dezembro. O próximo álbum está já a ser preparado, mantendo-se Kim Ann Foxman na espinha dorsal do projecto idealizado e concretizado por Andy Butler.
Não param de chover boas notícias para 2010...

CLÁSSICOS 2000

Headman - Moisture
(2006)

LOST VALENTINOS

Os Lost Valentinos são mais uns australianos a darem nas vistas mas desta vez a sua sonoridade afasta-os um pouco do eixo puramente electrónico Presets-Cut Copy que faz escola por aquelas paragens. O álbum, produzido por Ewan Pearson, foi provavelmente o que mais rodou cá em casa nos últimos dois meses. Cities Of Gold consegue ser simultaneamente variado e coerente e mostra uma banda com carácter, que sabe o que faz. As influências vão do indie-rock à disco, sempre com algum psicadelismo e negrume... Mais do que qualquer pseudo-etiqueta, ouçam e tirem as vossas próprias conclusões. Do debut, Thief e Serio já tiveram direito a (bons) vídeos mas há muito mais pontos de interesse a descobrir.
Enjoy!